Sem direção!

Aponta-me um caminho:
de pedras,
de flores,
de espinhos.
Mostra-me a direção,
uma pista,
um traço,
um vão.
Devolve-me ao ninho,
devastado pelas incertezas
das convicções embusteiras,
armadilhas traiçoeiras
plantadas para depredar
o espaço onde piso os pés
andando ao revés
sem nunca chegar.
Ilumina a escuridão da sombra
que anoitece meu itinerário:
quero ver a luz brilhante
acender o pavio da vela
e toda sacrossanta fé
incandescer o santuário,
revelando,
em um instante,
o final de tanta espera.
Indica um ponto sequer,
um sinal,
qualquer hora,
uma rua,
um porto,
um cais,
um talvez,
um agora,
um lugar onde possa chegar,
uma estrela que me guie
já que a manhã não vem mais
e preciso continuar.
Mas, mostra-me!