Categoria: Poesias

Mundo!

Lá fora me chama o tempo e, incansável, meu nome proclama ecoando nas marolas do vento, ora brando, ora turbulento. Aqui dentro, mundo imaginário, eu me retranco. Burlo as leis do calendário, horas, dias, meses e anos e deixo o tempo ir, sem resposta, sem realizar o que mais gosta. Retiro as travas da alma, …

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Arte!

Arte Caminho o percurso de sempre. Percorro o que não condiz com minha mente. Um desassossego invade meu ser, arrasta-me para ver o que ali não existe. Sussurra-me aos ouvidos: ouça! Paro, mas a inquietude persiste. A melodia insiste em ressoar a trilha sonora que me persuade. Uma força misteriosa me invade. Rendo-me. Deixo-me levar …

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Espera!

Quando tu não vens, meus olhos se perdem no escuro. Meus pés não tocam o chão. Flutuo entre densas nuvens: te procuro em vão. Como olhar as estrelas, se elas se escondem no teu olhar? Sinto-me tão só. A lua não aparece. E, de manhã, nem sei mais onde nasce o sol. Quando não vens, …

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Fábula!

Entediante é a vida nua, concreta, vivida. E eu já não cria na existência de laços, espaços, anjos, fantasia. Sem compartimentos para armazenar alegria, passei a arrastar-me na brancura dos dias. Eis que sem entendimento, à minha revelia, fui levada a mundos tão diversamente leves onde o viver me aprazia.

Saciedade!

A saciedade mais a fome trouxe-me a fartura, e lembrou-me o jejum. Veios se abriram, sangrando. Uma sede inesgotável nasceu. Ausências me povoaram e um medo antigo ocupou-me. A saciedade me penetrou com seus vazios, encharcando-me de esperas.

Impressões!

Estou de passagem, tu sabes. Estás de passagem, eu sei. Deixa que eu grave em minhas digitais a tua travessia ou deixa que eu grave minhas digitais em tua travessia. Tanto faz!

Hei!

Hei de amar-te: com a lucidez dos cegos, com a serenidade dos pródigos, com a urgência dos meigos, com a volúpia dos mártires. Hei de amar-te: no abandono dos sustos, no intervalo das dores, no revés dos sonhos. Hei de amar-te: apesar dos limites do corpo, durante a suspensão dos medos, com a delicadeza que …

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Percepções!

Quando dei por mim o mundo havia mudado. Parei, embora o tempo não houvesse parado. As pessoas já não eram as mesmas. Afeições, aflições, feições, expressões. Estranhei. Procurei olhar bem por dentro, talvez algum indício em cada uma, um sinal que preenchesse essa lacuna ou me guiasse onde as pudesse achar. Ou me achar. Divaguei. …

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Leva-me!

Leva-me! Serei uma fresta, uma nesga, uma brecha, um atalho costurado em teu caminho o silêncio disfarçado, um pergaminho. Se, por acaso, te perderes no ocaso e te cegares o breu da escuridão posto-me à frente agora, sem demora e me dou-te em poesia, a mais bela criação.

Falhas!

Faltou dar significado à vida, viver o instante antes da partida, trancar a porta aos sentimentos precários, desnecessários para um transcorrer palpável. Renascer a cada dia de esperança e alegria. Faltou o recomeço, o afã de reinventar motivos para comemorar as artimanhas da sedução, o fetiche da paixão. Exorbitação. Faltou alimentar os sonhos que, enfraquecidos, …

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