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Liberdade!

Se faz presente, a liberdade. Onipotente. Súbita. Inopinada. Tão esperada! Em tons de imensa beleza, real singeleza confronta a escuridão da dor. Luz incandescente! Traz esperança. Desativa fendas expostas em solo árido da alma, do ventre, da gente. Pousa em duras pedras. Semeia pétalas. Deixa a abstração, grades de prisão. Metamorfoseia, (e)feito borboleta! Convida a voar. Impacta o ar!

Mudança!

Abandona o cais. Navega. Engole os ais. Enfrenta as tormentas. Tu és capaz. Sai do ventre, rompe a bolsa. Desliza com a expulsão. Respira. Chora. Esperneia. Acata os desígnios da vida. Ela convoca; não convida. Supera idas e partidas, adeuses e despedidas. Recolhe os sonhos. Ainda há. Basta acordá-los e viajar. Escancara a janela. Observa por ela e o mundo está lá. Recomeça. Um dia após outro. Se preciso, hora após hora. Realiza o que te aflora, resgata o que perdeste e te impulsiona a seguir. Deixa pra trás o que não volta mais.

Dias Iguais!

Nessa rotina de dias cruciais, mar igual e barcos desiguais, tempo diferente sujeito atemporais, o medo, a dúvida, a ansiedade de mãos dadas querem assustar. Num cerco ao ser humano fazem a ciranda girar sem ter onde ancorar ou resistir. Ao homem resta se resignar. Guarda consigo os motivos que o levam a sonhar. Mergulha em si para refletir. Busca encarar sua alma, achar algo que o ajude a ser. Seu próprio ventre para renascer, sua sensibilidade para florescer, desabrochar na arte de escrever, cantar, dançar, viver. No azul de um céu em festa o sol é luz, é lampejo, é abraço. A natureza viva manifesta, a paz que viraliza sem fazer mal. O homem compreende, sem falar, necessário se faz isolar: quem sabe uma onda de amor vinda do universo ou algum mar traga o bem e carregue a dor.

Eclipse!

O sol espia, provoca. inunda, fecunda. evoca, alcança cá, acolá, menos o aqui. Não há como alcançar nem mesmo um raio consegue chegar lá. O girassol se mostra, aposta na manhã, no dia que será. Sob comandos solares põe à prova sua liberdade e se prostra nos lugares a girar. Coração carente, irreverente, não vibra. Triste, se equilibra, resiste, faz sombra e a luz desiste de entrar. O sol lampeja raios de vitória. Sorri por se alastrar coroa-se de aurora, cores dançam em desagravo ao eclipse humano, ao inconsequente ato desumano.

Pensar!

Sinto o calor dos dias frios, o frescor do tempo seco. Desejo e não desejo esse arrepio. Cheio de um vazio que julgo conhecer, mas desconheço. Ouço minha fala no silêncio. O caminho largo e estreito vem me confrontar. Na mente, a explosão do monstro Medo fazem meu corpo se aquietar em gritar. Quero pensar e apenas não pensar.

Esquecimento!

Este poema não é composto de flores e amores. É composto de sangue e ímpeto. Socos. Pés cansados. Braços brutais contra o vento. É a tempestade, o raio, o trovão. É o vão que se acumulou no peito. Este poema é sobre aqueles que gritam. se desesperam, duvidam e quebram os vidros sobre aqueles que caíram do nicho do esquecimento.

Indelével!

Não importa se o aço corrói, se o tempo maltrata, se a vida quase escapa. Na estética da flor sempre haverá doçura, uma doce ternura: imaginário do amor, indelével fluidez.

Encontro!

Tão bom nos lembrar tão meu, tão sua: formas enlaçadas almas cúmplices. Tão bom te ter, tão bom te ser: pequenos sóis, delicadas luas, desejos compartilhados, ternuras entrelaçadas.

Medo!

De despir-me das vontades e nua de desejos e ensejos perder minha identidade. De desistir dos sonhos e me imbuir de marasmos, cultivando um amanhã enfadonho. De mergulhar no vazio; dele não conseguir sair e por mais que eu tente, nele persistir. De perder a inspiração, vítima da síndrome do papel em branco e fragmentá-lo com meu pranto. De que a sombra se interponha e me impeça de ver a luz, o belo, o arrebol, o sol. De que pensamentos funestos conspirem contra mim, no universo, e me retornem ainda mais perversos. De não encarar a verdade, alienar-me à falsidade e por mais que me custe, mascarar a realidade. De não ter ousado, não ter lutado, não ter recomeçado, não ter acertado, mesmo tendo amado. Medo de não perder o medo.

Pausa!

Hoje resolvi pausar. Fico aqui e deixo o mundo para lá. Estática, vejo-o rodar. Livre, com a sensação de não estar. Leve é a impressão de levitar. Ser (im)pensante, esquecida do instante, Isolada do que não posso transformar. Me volto para mim. Sou corpo no vácuo despejado por alguma turbulência. Não clamo por sobrevivência. Não chego a ser pânico nem solidão. O meio termo define meu padrão. Hoje tiro os pés do chão. Afasto-me do mundo, dou meia volta, driblo os solavancos, os engodos, a revolta. Sou meu próprio piloto a resgatar micropartículas de mim. Que a física quântica ou o poder do pensamento ou tudo que nos conduz, façam prevalecer suas leis, sem distâncias ou anos-luz, e acelerem a teoria do fim. (Ou recomeço).

Borboleta!

Se faz presente a liberdade. Onipotente. Súbita. Inopinada. Tão esperada! Em tons de imensa beleza, real singeleza confrontando a escuridão da dor. Luz incandescente traz esperança. Desativa fendas expostas em solo árido da alma, do ventre, da gente. Pousa em duras pedras. Semeia pétalas. Deixa a abstração, grades de prisão. Metamorfoseia, (e)feito borboleta! Convida a voar. Impactando o ar.

Sina!

Pleno de silêncios um poema vermelho se avoluma insensato no clamor da poesia. Palavra em queda livre proclama danos em questionamentos íntimos escritos na areia. Um poema vermelho pleno de amanheceres se avoluma infinito no clamor da poesia. Sedento de madrugadas, desnuda-se em cálida ousadia metáfora suicida a acalantar destinos.