Borboleta!

Se faz presente a liberdade.
Onipotente.
Súbita.
Inopinada.
Tão esperada!
Em tons de imensa beleza,
real singeleza
confrontando a escuridão da dor.
Luz incandescente
traz esperança.
Desativa fendas expostas em solo árido da alma,
do ventre, da gente.
Pousa em duras pedras.
Semeia pétalas.
Deixa a abstração,
grades de prisão.
Metamorfoseia, (e)feito borboleta!
Convida a voar.
Impactando o ar.

Sina!

Pleno de silêncios
um poema vermelho
se avoluma insensato
no clamor da poesia.
Palavra em queda livre
proclama danos
em questionamentos íntimos
escritos na areia.
Um poema vermelho
pleno de amanheceres
se avoluma infinito
no clamor da poesia.
Sedento de madrugadas,
desnuda-se em cálida ousadia
metáfora suicida
a acalantar destinos.

Verbo!

Feres feito espada
cravada no peito.
Tu, verbo clandestino,
que sem pudores
revela o destino.
Maldito, bendito,
consciência do infinito.
Não deixas meu sono tranquilo:
apontas meus desencantos,
com teu verbo santo.
Tu, verbo da glória
e meu profundo grito.
Hemorragia de letras
espalhadas em meu ventre.
Tu, verbo imoral,
navalha da língua,
verso decisivo.
Eu, verbo
e não apenas substantivo.

Sentires!

Na ponta do lápis
um mundo se abre:
formas, cores, palavras.
Sentires, melodias.
Na ponta do teclado
a existência se descortina:
mosaicos de vivências,
espelhos da humanidade.
Na expressão da arte
tudo é possível:
mesmo no mais improvável
o coração explode.

Dualiades!

Prefiro a dor do absurdo
a esse mundo apático
corrompido, sem sentido.
Prefiro a morte em silêncio
a palavras esdrúxulas
e aparências vazias.
Prefiro ossos rompidos
a ideias mesquinhas
e condutas banais.
Prefiro a poesia abismal
a versos felizes
ocultando todo mal.

Subliminar!

Tons de voz,
Silêncios, gestos,
zombarias.
O não dito entre o dito:
inércia.
Arquétipos do inconsciente,
sinais contínuos
de emoções reprimidas.
No silêncio e nas palavras
a mensagem grita.

Grito!

No diafragma aberto
o (des)concerto do ar:
uma música
que foi deixada
sem letra,
sem rumo
suplicando melodia.

Novo Mundo!

Enfim, um mundo novo:
sem pecados originais
e crueldades habituais.
Enfim, terra para todos:
natureza em harmonia
e humanos em sintonia.
Enfim, vida em plenitude:
beleza primordial
e amor incondicional.
Enfim, não mais utopia:
renascimento das almas
compartilhando a alegria.

Poesia!

Trago suspensa nos lábios
a palavra poesia.
Trago, na ponta dos dedos,
todos os versos por escrever.
Nos olhos, trago estrofes,
métricas, rimas e tercetos.
Tantas quadras de ilusão
que na forma nunca rimam,
mas que enquadram um sentir
vasto e profundo,
cheio de percalços no caminho,
à beira de um abismo.
Existo para sofrer em minha
própria dor.
Destruo-me e renasço
a cada instante,
para em seguida,
voltar a morrer e depois a renascer.
Sou assim em cada verso,
porque trago suspensa, nos lábios,
a palavra poesia
e na ponta dos dedos
todos os versos por escrever.

Métrica!

Acerta a tua voz
pelo rigor da ternura
acerta o coração
pela violência do grito
acerta o teu olhar
pelas lágrimas da vida
e não
pelo discurso,
pelo relógio,
pelo apito
que, milimetricamente,
marca a hora certa
da entrada e da saída.

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